era outra vez palavras que se transformaram em imagens.
foram assim os nossos últimos encontros.

me dá a volta
o sabor de estar em casa
rodeado de amigos, dela
namorada
me devolve o sabor
de respirar meu ar
meu calor
me deixa voltar
vai tempo, não brinca comigo
me deixa voltar
acelera o ponteiro
favorece o encontro
é noite de natal
e mesmo sendo judeu
observo a união
os encontros,
mesmo no aeroporto
é tudo flores
e flores dão risadas de presente
vai tempo
passa e me leva pra lá
me dá o abraco que mereço
desses que estranhos dão
eu quero o meu abraço
os meus abraços
no meu irmão
nos meus amigos
que não vejo há tempos
que não se unem há anos
vai saudade
deixa a solidão
me deixa sorrir
por estar lá

essa vem pra passar.
pra dividir.
o que na cuca não cabe mais.
que no peito não cabe mais.
de tanto doer.
quando tudo, absolutamente tudo,
absurdamente tudo dá medo,
o passado,
o feito,
dá medo,
dá medo ter cruzado a linha.
até o insano, não correto.
nesse instante se vê transviado.
se enxerga amargo.
errado.
(tomara eu, de verdade, que esteja agora apenas cansado)
telefone? não quer anteder.
está com medo.
medo de dizer.
pior: medo do toque.
agora preste atenção, pois aqui se instaura o pânico:
antes se sabia senhor,
doutor da situação.
agora és um não.
arranhão.
inconsequente.
penso, por fim que é o preço pago por
se entregar,
se jogar,
se viver.
ah, pensar o passado em termos racionais?
nem pensar.
textos de Ricardo Wolf

que texto foda!
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